Fica aqui uma referência e um bom exemplo a seguir por esta nova Direcção: o Borussia de Dortmund há poucos anos era um clube falido, sem credibilidade, com uma massa adepta enorme, muito apaixonada mas vivendo decepções atrás de decepções, praticamente em risco de desaparecer, andando por lugares de despromoção, até que conseguiu parar para reflectir, analisar, definir uma estratégia, resistir e dar uma invejável 'volta por cima'.
De que forma?
Reorganizando o clube, racionalizando recursos nas várias áreas, reduzindo drasticamente custos, remodelando toda a estrutura do futebol, apostando fortemente na formação, potenciando os jovens da sua academia (sendo que Mario Goetze é provavelmente o melhor exemplo desse modelo), contratando e apoiando um treinador (Jurgen Klopp) com perfil de formador, disciplinador, carismático, e que, apesar de inevitáveis maus resultados iniciais - com muita contestação dos adeptos a pedir a sua demissão - acabou por dar títulos de campeão ao clube, um lugar na final da Champions deste ano - com um estilo de futebol atraente aplaudido por todos - mas sobretudo dotando o Borussia de uma cultura e uma mentalidade ganhadoras, valorizando jogadores, ainda por cima num país onde compete com uma das maiores potências futebolísticas do planeta: o Bayern de Munique.
Haja assim uma liderança firme e lúcida, racionalidade, profissionalismo, bom-senso, uma gestão cuidada dos recursos humanos à disposição, a devida paciência assente num discurso honesto aos adeptos com a assunção de que o clube vai ter que fazer um inevitável e incontornável jejum de títulos para se recentrar e reconstruír, e seguramente que os resultados aparecerão.
A outra hipótese que nos resta, e que claramente me parece indesejável, é a de persistir na gestão caótica adoptada por Godinho Lopes, sobretudo a nível desportivo, com contratações em massa e sem critério, esperando depois pela inevitável queda no abismo!
Nuno M Almeida